Assassinato de José Claudio e Dona Maria

O casal que denunciava, entre outras coisas, grilagem de terras para a pecuária, foi assassinado no dia 24 de maio. A morte foi “prevista”, já que José Claudio recebia fortes ameaças devido sua luta pela causa ambiental. Esse é um exemplo de como pequenos focos de resistência podem ser “abafados” de forma violenta e extrema “em benefício” de interesses políticos e econômicos.

“José Cláudio e Maria do Espírito Santo foram pioneiros na criação da reserva extrativista do Assentamento Praia Alta Piranheira no ano de 1997. Devido à riqueza em madeira, a reserva era constantemente invadida por madeireiros e pressionada por fazendeiros que pretendiam expandir a criação de gado no local.” – trecho da matéria.

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Carne kosher

Pressupõe-se que abatedouros kosher condicionam o animal a uma morte mais humanitária. Ela seria menos dolorosa, rápida e limpa: um único corte na garganta com uma faca afiada e adeus. Esse é o método judaico ortodoxo para matar um gado. Os animais perderiam sangue do cérebro rapidamente e, em alguns segundos, ficariam inconscientes.

Perguntas:

– Porque os judeus prezam por esse método?
– Qual é a história e a ideia por trás da carne kosher?
– Quais empresas trabalham com isso no Brasil?
– O gado REALMENTE fica inconsciente em poucos segundos?
– O tratamento do animal antes do abate também é levado em consideração?
– Quem fiscaliza tudo?

Em “A Ética da Alimentação, como nossos hábitos alimentares influenciam o meio ambiente e o nosso bem-estar”, Peter Singer e Jim Manson contam que um investigador disfarçado vazou um vídeo na AgriProcessors, Inc., um abatedouro americano kosher (um dos maiores do mundo dessa linha), em que bois aparecem agonizando por muito tempo antes de morrer. Percebe-se claramente que os animais não estão inconscientes. Mas mesmo assim eles receberão o selo kosher e os judeus comerão tranquilos. Que coisa, né?

Isso envolve toda uma cadeia de questionáveis selos de carne feliz, sustentabilidade, ovos orgânicos e outras estratégias marketeiras e bem-estaristas ligadas aos produtos animais.

Sobre a carne kosher, seria interessante procurar no Brasil comunidades judaicas para entrevista sobre o assunto, bem como uma empresa representativa do ramo. Isso entraria na parte de cultura do livro, onde pretendo explorar a cultura do “churrasco” no Brasil e a naturalidade do consumo da carne, que de tão cultural acabe sendo ingênuo e despreocupado. Para contrapor culturas e pluralizar a visão sobre o assunto (mostrar que nem todo mundo trata o consumo de carne bovina da mesma forma), essa parte contará com algo da cultura judaica e algo da cultura indiana, onde a vaca é sagrada e grande parte da população é vegetariana.

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O conflito

Uma “dica” de Edvaldo Pereira Lima é ter como ponto de partida os conflitos e, num segundo momento, interpretar suas causas e consequências. Encontrar os pontos nevrálgicos da questão, nos seus aspectos contextuais, processuais e temporais.

No caso da minha narrativa, a tão comentada ascensão dos países emergentes, vide o aumento do poder aquisitivo das classes C, D e E no Brasil, pode ser um ponto interessante, pois ele desencadeia um fato interessante para o início da abordagem dos direitos animais no Brasil.

A ascensão econômica desses países gera o aumento da demanda de carne bovina no mercado mundial.  O Brasil é líder em exportação de carne bovina. Comercializa até 7,4 milhões de toneladas com outros países, 24,4% de toda carne bovina exportada mundialmente. O volume de negócios cresceu com a alta no valor da tonelada do alimento no mercado internacional. A Rússia é o maior exportador de carne bovina no Brasil. Irã, Israel, Hong Kong e Filipinas também são alvos do mercado de exportação da carne brasileira.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP, a produção brasileira ultrapassará os 14 milhões de toneladas de carne bovina até 2018.

O confinamento e o semi-confinamento são apontados como solução, pois se afirma que essa técnica de produção vem de encontro com a atual necessidade mundial de produzir cada vez mais, já que a demanda é crescente. Utilizando o argumento ambiental, os pecuaristas que adotam ou devem adotar esse método justificam a mudança pela sustentabilidade, pois assim não precisarão desmatar novos locais para aumento das áreas de pastagem.

Esse procedimento afasta ainda mais o Brasil do debate dos direitos animais. O que diz o abate humanitário sobre o confinamento de gado? Quais são as especificações? Quais empresas devem adotar ou já adotam essa técnica no Brasil, que tem como tradição a pecuária extensiva? Comparativamente, quanto aumenta a produção com o deslocamento do gado do pasto para o confinamento?

Levantarei o debate do direito animal partindo do conflito do aumento da demanda da carne no mercado mundial frente a produção extensiva brasileira. 

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Estrutura de livro-reportagem

Sobre a estrutura do meu trabalho, escrevo a seguir algumas considerações úteis retiradas do livro “Páginas Ampliadas – O livro-reportagem como extensão do jornalismo e da literatura”, de Edvaldo Pereira Lima:

O livro-reportagem é uma narrativa de não-ficção. Pode ser uma obra literária trabalhada em estilo de jornalismo literário onde o eixo condutor de tudo é reportar. Desempenha um papel específico, de prestar informação ampliada sobre fatos, situações e idéias de relevância social.

O jornalismo interpretativo aparece como um gênero eficaz na contextualização dos fatos, ou seja, fornecer elementos suficientes para uma compreensão do assunto em sua amplitude (implicações, causas, conseqüências).

Para elucidar o tema central da reportagem, devo considerar alguns pontos importantes e esclarecedores: o contexto, os antecedentes, o suporte especializado, a projeção, o perfil (humanização da reportagem). Buscar abordagem multiangular: causalidade múltipla para um mesmo fenômeno e conseqüente multiplicidade de efeitos (leitura ampliada do real).

Para algumas passagens do meu livro, como narração de experiências vividas na pesquisa de campo, posso emprestar a natureza da reportagem documental, relato acompanhado de citações que complementam e esclarecem o assunto tratado, ao mesmo tempo em que se apóia em dados que lhe conferem fundamentação. Assim, a situação deixa de ser descrita apenas sob meu ponto de vista e ganha base para sustentação.

A ideia é trabalhar o tema dos direitos animais e a pecuária bovina no Brasil com aprofundamento extensivo, ou horizontal (dados, números, informações, detalhes que ampliam quantitativamente a taxa de conhecimento do tema do leitor) e com aprofundamento intensivo, ou vertical (análise multiangular de causas e conseqüências, de efeitos e desdobramentos, de repercussões e implicações).

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Um nome brasileiro para a Literatura Vegana

A autora brasileira Regina Rheda inovou na literatura nacional quando, em 2008, lançou “Humana Festa“, primeiro romance cujos protagonistas são veganos e que abre espaço aos direitos animais.

Regina é uma possível fonte para a discussão filosófica dos direitos animais no meu livro-reportagem . A idéia é passar por alguns nomes da literatura mundial que tem o veganismo como base moral do direito animal e deixam isso transparecer em suas obras. Ainda careço de pesquisas mas isso pode se estender a outras artes além da escrita.

Para a literatura, o portal da ANDA publica noticias e resenhas de obras de autores veganos do mundo todo. A agência pode contribuir com meu norteamento no campo da literatura vegana para a parte cultural do meu livro.

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Edvaldo Pereira Lima – Páginas Ampliadas

Páginas AmpliadasComeço hoje a primeira leitura para a construção do meu livro-reportagem. Fiz o levantamento bibliográfico sobre o formato “livro-reportagem” e o primeiro nome brasileiro que encontrei foi Edvaldo Pereira Lima.

O autor participa do site Texto Vivo – Narrativas da Vida Real e do portal e revista eletrônica da Academia Brasileira de Jornalismo Literário.

Com a teoria sobre o formato livro-reportagem, pretendo definir melhor como será a estrutura do livro e como posso organizar o texto de maneira clara, coesa e literária.

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